Cinema

Reboots

posted by Alf junho 8, 2019
Reboots


Reboot ou reinicialização designa uma nova versão de uma obra de ficção. Um reboot difere do remake e da prequel, que normalmente, são consistentes com o cânone previamente estabelecido.O remake se propõe a refazer um filme ou série de TV, mantendo personagens, eventos, ou mesmo toda a história. Uma prequel conta uma história inicial que não tenha sido encenada antes, sendo capaz de “corrigir” através do retcon, alguns aspectos até mesmo criar uma inconsistência com o histórico existente. Geralmente são realizadas pela mesma equipe criativa envolvida na continuidade.

Um Reboot vai mais além, e ignora a continuidade anterior, substituindo-a por um novo cânone.Os Reboots ou revivals tem recentemente dominado as produções de seriados principalmente no maior produtor atual de conteúdo que é a Netflix.

Aqui separei alguns títulos principalmente por causa da fama dos originais e o que achei das novas versões.

Vamos começar com a série mais icônica e que não poderia faltar:

Star Trek – Discovery; em sua nova versão produzida nos EUA pela CBS e distribuída mundialmente pela Netflix.

É a mais recentemente produção que leva o nome Star Trek, a série original feita nos anos 60 que se tornou famosa apresentando a USS Enterprise e que teve em anos recentes um reboot cinematográfico com os personagens originais com novos atores, três versões cinematográficas; Star Trek em 2009, Star Trek: Além da Escuridão em 2013 e Star Trek: Sem Fronteiras.

A nova versão para a TV apresenta a espaçonave Discovery e suas histórias se situam dez anos antes da versão do Capitão Kirk, mas para que isso fosse possível o pessoal teve que rebolar.

Terminando sua segunda temporada e fechando um arco que responde algumas perguntas ainda da primeira temporada, Discovery foca quase que estritamente em um único personagem, Michael Burnham, uma terráquea criada por Vulcanos, mas não por qualquer família, mas a família de Spock o icônico personagem da série clássica que fazia parte da equipe original com Kirk e McCoy, e que aqui ainda aparece em seu inicio de carreira.

Apesar de a série ter uma qualidade de produção muito boa com alguns ótimos efeitos, ela peca justamente por dar extremo destaque a um única personagem que é a oficial Michael, diferente das outras encarnações que levaram o nome Star Trek onde tínhamos um rodizio de protagonistas, aqui não se dá muito espaço para conhecermos os personagens, são quase que coadjuvantes, entrando mudos e saindo calados.

O caso mais absurdo foi o da personagem Airiam, uma humana meio androide que nunca abriu a boca em toda a primeira temporada, e na segunda teve poucas falas, acabou sendo eliminada da série sem ter sido minimamente aproveitada.

Mesmo o ator Anson Mount como a reencarnação do Capitão Pike, personagem original do primeiro episódio de Star Trek de 1960, e do Filme especial “The Cage”, pouco teve espaço já que diferente das outras versões, aqui o Capitão não é o personagem de destaque.

Temos diversos outros exemplos; a Alferes Tilly que no inicio achei que seria uma parceira constante de Michael, mas que acabou não tendo espaço.

Saru interpretado por Doug Jones ainda teve um pouco mais de participação tendo inclusive um episódio só seu, (“The Sound of Thunder”), mesmo que Michael estivesse ali o tempo todo em cena.

E finalmente um dos que gostei mais, Paul Stamets, o misto de engenheiro e piloto do motor de esporos da Discovery, apesar de tentarem criar uma história pessoal complexa com o Dr. Hugh Culber, a coisa ficou muito superficial, afinal tinham de colocar mais cenas com Michael.

O restante dos personagens/tripulação não tiveram espaço, talvez Ash Tyler, o humano pseudo-Klingon que teve uma relação amorosa com Michael e também com L’Rell, a Embaixadora Klingon com teve um filho. Sua participação foi forte na primeira temporada e na segunda teve um importante elo entre a Discovery e a Seção 31 futura série no universo de Star Trek onde ele deve ter participação junto com a personagem Philippa Georgiou, a imperatriz da outra realidade que aparece ao final da primeira temporada e que tem bastante destaque nessa segunda, apesar de nunca saber para que lado ela joga.

Outra série também disponível na Netflix, que gostaria de mencionar aqui é a nova versão em formato anime de Ultraman, o icônico personagem dos anos 60 ganhou uma nova roupagem. Sofrendo influência dos Super-heróis americanos, a versão lembra bastante o Homem de Ferro da Marvel, já que nessa repaginada o personagem não é um gigante que luta com monstros alienígenas, mas um adolescente que usa uma armadura que amplia seus poderes, filho do hospedeiro do Ultraman original, Hayata.

Na nova versão Shinjiro Hayata, tem que lutar com uma versão robótica de Bemular que no original de 60 era um monstro. Esse Bemular lembra bastante o Ultron que lutou com os Vingadores. Mas o anime se perde justamente em contar uma boa história. Apesar da fraca tentativa de criar um casal com a cantora teen Rena Sayama, a série inclui outras versões de Ultraman. Dan Moroboshi (que era a identidade secreta do Ultraseven original) uma versão repaginada de Ultraseven do personagem da década de 60, transformado em um egocêntrico agente, lembrando também Agentes da Shield.

A série perde muito tempo na tentativa de mostrar que o novo Ultraman ainda procura seu jeito de ser e investigando casos de mortes de alienígenas, criando uma intriga entre ele e outro Ultraman que aparece sem muitas explicações.

Achei a modernização inferior em termos de aventura ao original de 60, gostei de algumas cenas onde aparece o Ultraman original em um museu, mas a história poderia até incluir uma aparição do original. Esse Ultraman teen carece de dinamismo, e acabei achando que a finalização de alguns casos em sua maioria acabou ficando com os outros Ultramens, tirando a importância do personagem.

Outro reboot foi Perdidos no Espaço, seriado clássico de 1965, distribuído pela Fox. E que no ano passado teve um remake distribuído pela Netflix.

A versão inovou em alguns conceitos em relação à série original, criando uma família Robison menos quadradinha com algumas ranhuras entre seus componentes.

Um robô que agora é um alien com crise de identidade e uma versão feminina do Dr. Smith.

A nova versão ainda utiliza uma versão atualizada da música tema original da série 1965 composta por Jonh Willians, o mesmo compositor de clássicos como Star Wars e Superman.

O desenvolvimento da série é lento e demora um pouco a engrenar, faltou também a presença de alienígenas como era no original.

Talvez esse ano tenhamos uma segunda temporada.

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